Inteligência Competitiva – Sinais de Mercado: Transformações criam um novo perfil de liderança

As megatendências que já estão transformando o planeta alteram também os parâmetros de liderança nas empresas. No novo perfil, o primeiro traço é ter cultura de inovação. O segundo, capacidade de acesso a novas tecnologias. "As empresas líderes terão também de se dispor a buscar seus talentos nos mais diferentes pools e gestores com cabeça aberta para fazer parcerias e alianças múltiplas", afirma Fernando Alves, sócio-presidente da PwC Brasil.

As organizações terão ainda de estar permanentemente realinhando suas estratégias, o que significa que os tempos de planejamento ficarão mais curtos. Aprofundar conhecimentos locais, mas adotar modelos de entrega globais e ser extremamente ágil são outras características da empresa do futuro, diz o executivo.

Nesse mundo novo, os modelos de governança focados em agregação de valor têm importância decisiva. "As organizações que oferecerem produtos ou serviços que tocam apenas o bolso estarão fadadas a ter lucro marginal próximo de zero", diz Luís Guedes, professor de inovação da Fundação Instituto de Administração (FIA), da USP. Segundo ele, a experiência do produto ou do serviço será apenas uma parte do contexto: "O que vale é como você se sente ao usufruir o que lhe é ofertado", afirma. "Na nova era, temas como segurança alimentar e utilização dos recursos exigem que as empresas se preocupem com fatores que transcendem a economia e os parâmetros materiais e passem pelos valores éticos, morais e cada vez mais espirituais", acrescenta.

O empreendedorismo e a economia compartilhada são movimentos que, na opinião dos especialistas, têm presença assegurada no futuro: o primeiro por sua capacidade de responder com rapidez às mudanças e às demandas do mercado. O segundo por permitir o uso cada vez mais eficiente dos recursos e diminuir os riscos da operação. Empresas como Airbnb e Uber são os exemplos mais citados desse movimento. "Ambas dificultam os negócios das empresas tradicionais de hotelaria e táxi, mas mostram que há uma ineficiência econômica nessa relação", diz Guedes. Não por acaso, lembra, o Airbnb se tornou a empresa que mais aluga quartos no mundo, sem ter nenhum. Os aplicativos de carona e taxi deram tão certo que são usados, por exemplo, para aproximar o caminhão do frete a ser transportado, exemplifica Alves.

Na avaliação dos especialistas, quanto mais a economia compartilhada avança, menor é o espaço para paradigmas como a posse. Ter sede própria, por exemplo, deixará de ser motivo de orgulho, observa Guedes. O que importa é usar espaços com eficiência. Da mesma forma, uma grande empresa não precisa ter um supercomputador: o que vale é uma boa conexão de internet, capacidade de capturar e processar os dados e armazená-los em nuvem.

Outra característica da empresa do futuro é ter flexibilidade para lidar com um perfil diversificado de clientes e talentos. Segundo as previsões, o aumento da população mundial se dará de forma intensa em algumas regiões, mas lenta em outras, o que resultará em profundas mudanças no padrão demográfico e numa crescente diversidade em termos de gênero e origem geográfica. "Uma nova base de clientes surgirá com uma multiplicidade jamais vista", diz Alves. No caso da força de trabalho, a diversidade tem ainda o componente idade. O avanço da população idosa já é um fato e se intensificará: as projeções indicam que em 2050 21% da população mundial terá mais de 60 anos (em 2010 o percentual era de 10%), o que fará com que essas pessoas deixem de ser minoria para se tornar um grupo forte.

O estudo do Ipea também analisa o impacto dos movimentos migratórios no perfil da nova sociedade e no mercado de trabalho. Até 2030, a migração intracontinental e entre continentes se intensificará em função de fatores econômicos, de conflitos e de degradação ambiental, abrindo oportunidades

para imigrantes qualificados, o que vai desafiar o sistema mundial de estabilidade social e o equilíbrio das relações de trabalho. Com tanta mudança, será mais fácil prospectar talentos inovadores, mas a organização terá de saber administrar as diversas expectativas dos diferentes tipos de profissionais.

Fonte: Marlene Jaggi | Valor, São Paulo, 18/02/2016 às 05h00

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Enlace original: Alfredo Passos (Blog)